Avistamento de drones e comunicação social... (falhas e omissões?)

Para começar de uma forma mais "leve", deixo aqui uma foto que tem sido utilizada para brincar com a situação que a comunicação social tem reportado ultimamente de avistamentos pelos pilotos de aviões de drones, já que "tudo" que é avistado é um drone (quando pode não o ser)... 

Esta situação tem vindo a "denegrir" um pouco as pessoas que usam drones, pois acaba de servir como noticia "chocante" e alarmista, o que está a ser utilizado como forma de manipular a opinião pública. Isto sem esquecer que os possíveis avistamentos nunca são dos drones que colocam nas fotografias da noticia e/ou até podem ser outro tipo de aparelhos não tripulados. Assim como falam de manobras de evasão ou que os drones conseguiram seguir ao lado o avião (que para quem tem drones, sabe que pelas altitudes que falam, velocidades ou tamanhos, que é praticamente impossível ser um drone).


Tendo em conta que eu tenho um DJI Mavic Pro e que gosto de cumprir a lei (sim porque existe legislação), costumo andar dentro de grupos que falam sobre o assunto, assim como peço sempre as autorizações necessárias à AAN ou ANAC (conforme o caso). Isto sem esquecer que os próprios drones da DJI já não voam em sítios proibidos, como aeroportos (que é o que se vê falar mais na comunicação social), estádios, etc.
Além disso tendo um drone caro, não quero ter o risco de ficar sem o mesmo, ou até apanhar uma grande multa. Portanto não se deve colocar no mesmo saco toda a gente que tem um drone e que até cumpre a lei...

O intuito deste artigo é mesmo deixar o texto escrito pelo Miguel Ribeiro, que enviou à RTP que tem informação e fatos que geralmente são deixados de fora e nunca são abordados...

Texto do Miguel:

"Bom dia,

Tenho assistido às noticias da RTP e acompanho a preocupação com recente vaga de “avistamentos de drones” por parte dos pilotos da aviação, assim como a grande maioria da comunidade que acompanha toda a temática dos drones.
No entanto reparei em algumas falhas e omissões que não tem sido relatadas nas reportagens.
Nomeadamente que até hoje ainda não foi reportada a nível mundial nenhum incidente com os drones de consumo, ao contrario de que, por exemplo, é rara a semana que não haja pelo menos um incidente com aves.

Não tem sido divulgadas ainda as conclusões que afastam a “teoria” de que se avistaram drones e que os supostos avistamentos foram anomalias climatéricas, sacos de plástico e balões.
Sugeria a leitura de um estudo recente pela George Mason University's Mercatus Center e outro do ano passado de uma investigação da Academy of Model Aeronautics (AMA), em que dos 764 avistamentos com drones ocorridos nos Estados Unidos e reportados pela FAA, apenas 27 (3.5%) foram realmente “near misses” e que os restantes ou foram apenas avistamentos sem causar interferência nos voos ou foram de operadores que estavam a cumprir as regras. Foram ainda incluídos neste estudo casos em que os pilotos referiram que não houve realmente perigo e situações que se vieram a saber que não eram drones (sacos de plástico, balões, etc.)
Também pelos dados da FAA, e no sensos da mesma entidade, em 2014 houve reportadas 13.414 colisões com aves e outros “animais” voadores e em que bandos de aves eram contados apenas como uma ocorrência.

As entidades que pesquisaram sobre o assunto, estimaram ainda que (comparando com o comportamento errático das aves) por cada 100.000 horas de voo com drones com peso até 2kg (que é o que as reportagens se referem normalmente) haverá uma probabilidade de 0.00000612% de causar um impacto catastrófico, ou seja; haverá um risco significativo de acidente em cada 1.87 milhões de anos de operações. Mesmo no meio aeronáutico parece-me um valor muitíssimo aceitável.

Devo referir que o número de vítimas causadas apenas por pilotos que propositadamente despenharam os aviões nos últimos 10 anos é superior a 150 pessoas (Germanwings), (LAM) e não coloco nestes números os 227 passageiros da Malaysia Airlines Voo 370 em que não se sabe realmente o que aconteceu, mas suspeita-se de pelo menos intervenção humana para alteração da rota.

Acompanho na preocupação em relação a estes equipamentos, mas parecem-me exageradas as ocorrências em tão curto espaço de tempo, assim como tenho dúvidas nas alturas a que ocorrem e ainda a capacidade de um piloto ver e reagir a um objecto que em situações normais terá um tamanho de uma bola de futebol e de difícil visualização a mais de 150m (espaço que um avião facilmente percorre em 2 segundos) e da capacidade de qualquer piloto realizar manobras capazes de evitar esse equipamentos.

Da mesma forma parece-me exageradas as noticias que um drone acompanhou um avião. È claro que deixará de ser tão impossível se estivermos a falar de outro tipo de drones que não os que estão a ser indicados nas noticias. Mas para esses será certamente fácil de identificar os responsáveis como certamente sabem..

Estamos numa altura de “acertos”, e alarmismos de ambas as partes ao lidar com estes casos, não será certamente de interesse à opinião publica, tanto mais que também um estudo recente, os pilotos de aviação civil deixarão de existir a médio prazo e vão ser substituídos por “drones”.
Termino a convidá-los para frequentar um grupo interessante de utilizadores de drones no facebook “DJI Portugal” em que poderá verificar as preocupações destes utilizadores, verificar o empenho em fazer cumprir as regras, e até quem sabe, colocar questões aos utilizadores sobre o que acham desta temática. "

Estudo utilizado como base do texto: modelaircraft


Deixo também algumas dicas simples, para quem tem drones:


Assim como podem passar no site voanaboa, para lerem toda informação de como se deve operar os drones em Portugal.

Espero que assim, para as pessoas que estão menos ligadas com os drones, possam ficar um pouco melhor informadas de outras perspectivas.

O que acham do panorama que se tem visto por cá?

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