FaceApp. Um novo exemplo de que continuamos demasiado confiantes






Certamente, nas últimas semanas enviou, ou pior ainda, um amigo ou familiar enviou uma foto dele mesmo, mas alguns anos mais velho. Esta é uma das funcionalidades de uma de tantas aplicações disponíveis para o telefone, com capacidade de modificar a sua cara, para o tornar mais velho, mais jovem, ou até mesmo acabar com problemas de velhice em apenas alguns segundos. Neste caso, estamos a falar da aplicação FaceApp, que embora não seja nova, gerou muita expetativa devido a uma nova melhoria de Inteligência Artificial que torna os seus resultados muito mais reais.


O que irá ler de seguida são todo o tipo de notícias que falam sobre este tema, acusando-o de dar a sua privacidade ao governo russo e tratando a aplicação como uma ocultação ao malware. Apesar disso, para além de tudo isto ser verdade ou não, o que realmente o deveria preocupar no nosso ponto de vista é outro tema: continuamos a ser demasiado confiantes.

Vamos colocar em prática um exemplo muito simples com esta mesma aplicação, que é simplesmente ler os "Termos e condições":

"Atribui à FaceApp uma licença de utilização permanente, irrevogável, livre de direitos autorais, mundial, integralmente concedida, transferível sob licença, que reproduz, modifica, adapta, publica, traduz, cria trabalhos derivados, distribui, realiza publicamente e apresenta o seu Conteúdo de Utilizador e qualquer nome, nome de utilizar ou imagem fornecida em conexão com o seu Conteúdo de Utilizador em todos os formatos de meios e canais atualmente conhecidos ou ainda em desenvolvimento, sem uma compensação para si."

Parece uma brincadeira não? Mas não é, e se utilizou a aplicação aceitou estar de acordo com tudo isto. O certo é que, se lesse isto antes, certamente não a teria descarregado, ou talvez sim, mas aí já o fazia sabendo o que implicava.

Em qualquer caso, o objetivo deste artigo não é avaliar esta aplicação (se lermos as condições de muitas outras aplicações muito mais conhecidas, e que também utilizam a nossa informação privada, aparecem constantemente este tipo de frases assustadoras), mas sim refletir sobre a pouca atenção que prestamos ao que fazemos no nosso dia a dia e o risco que isto pode representar.

De facto, se observarmos um pouco, a propagação viral desta aplicação não é diferente ao que acontece habitualmente, por exemplo, com uma campanha de "pishing". Analisemos o contexto: Campanha de Verão, o mundo inteiro a partilhar as suas fotografias nas férias através do telemóvel, "desafios" na internet... informação suficiente para formular uma nova campanha de emails fraudulentos, com os quais infetam a nossa equipa, roubam dados bancários ou reúnem simplesmente um conjunto de informação que será posteriormente muito útil para outro objetivo.

Se há poucos dias publicávamos o artigo relacionado com os conselhos sobre "Como utilizar as redes Wi-Fi de forma segura nas férias em apenas 6 simples passos", desta vez voltamos a dar valor à importância de prestar atenção ao que fazemos a partir dos nossos dispositivos móveis. Um dispositivo móvel pode conter tanta informação nossa. E por este motivo, é muito importante termos consciência de quando damos permissão a uma aplicação ou quando lemos um e-mail e clicamos no link, que pode ser malicioso, podemos estar a cometer um erro que pode chegar a custar-nos mais que um desgosto.

O que devemos fazer? Em primeiro lugar, ganhar consciência e aprender a reconhecer os periogos, e para isso, temos ferramentas de formação como o Phish Threat, com a qual aprendemos a distinguir esses e-mails maliciosos e, temos também acesso a ferramentas que protegem os nossos dispositivos móveis como o Sophos Mobile Security, com o qual podemos, por exemplo, guardar as nossas senhas de forma segura, eliminar e/ou localizar o nosso dispositivo caso se perca, assim como rever as permissões que demos a uma aplicação, saber se estão a utilizar a nossa localização, e por sua vez saber se se trata de uma aplicação maliciosa.

Com isto, e com um pouco de senso comum, que temos de ir treinando, aprendemos a dedicar dois minutos antes de clicar num link de um e-mail, a lermos o que estamos a aceitar e, definitivamente, a aplicar a política eficaz Zero Trust, e a confiança que sempre se recomenda na cibersegurança.

O mais importante para enfrentar um risco de qualquer âmbito é conhecer a sua existência, se o fizermos já demos muitos passos no caminho certo.

Por Iván Mateos, Sales Engineer, da Sophos Ibéria.

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